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domingo, 27 de setembro de 2009

Crônica: O dilema do gol

Estar perto de inserir uma esfera redonda dentro de uma área retangular para ter êxtase, pode parecer científico demais ou até mesmo esquisito demais para uma partida de futebol. Simplesmente, "balançar as redes" ou "escorar para o gol", poderiam resumir melhor o objetivo de milhares de jogadores ao entrarem em campo em suas partidas oficiais, sejam elas profissionais ou amadoras.
O jogador contemplado com este momento é alçado ao transe, pelo qual, por alguns momentos, torna-se mistificado, um ser capaz de realizar a alegria mais sublime de um torcedor. Em contrapartida, o mesmo atleta pode ser configurado como um inimigo da nação ou até mesmo ser considerado um traidor e carregar uma culpa desmedida, considerado o caráter esportivo do futebol.
E se o time adversário for o ex-time do atacante, a situação é piorada. "Seu traíra", "Volta pra..." são jargões tecnicamente utilizados para definir o jogado quando ele não consegue acertar o gol, oriundo mais por uma "falta de sorte" do que propriamente querer "jogar contra o patrimônio".O jogador que fica com o goleiro a frente e outros jogadores atrás querendo pegá-lo, pode até parecer gostar da situação. No entanto, ganhar a vida como o cara que tem a obrigação de enfiar a bola (fazer o gol), é ser ao mesmo tempo "herói" ou "mártir", é viver nos braços da torcida, ou ser esculachado pelos torcedores ao final da partida. É viver entre o yin e o yang. Enfim, para aqueles que escolheram esta profissão, só me resta desejar boa sorte.

Por: Rafael Bonetti