Hoje se discute muito o esporte, porque o esporte representa muito da cultura de um povo. Uma comparação efetiva pode ser feita relacionando o futebol e o rugby. O primeiro, famoso nos países mais pobres, o segundo, mais famoso nos países mais ricos, os dois possuem praticamente os mesmos árbitros de dois esportes que, assim pode-se dizer, nasceram do mesmo pai.
Mas porque no primeiro o árbitro é odiado e no segundo o árbitro é respeitado? Por que no futebol, a catimba, o “jeitinho”, a “manha”, são tão valorizados, enquanto no rugby essas característica são combatidas impiedosamente?
Muitos autores mencionariam como justificativa para o futebol, o fato de essas características traduzirem toda uma cultura do país onde são mais jogados, onde ter essa atitude é tomado como a única forma de se vencer na vida. São atos tidos como normais, haja vista que todo mundo precisa aprender para não ficar para trás.
Já no rugby ocorre exatamente o contrário. No esporte é que é considerado um dos mais disputados do planeta, o apito do árbitro é considerado sagrado. Ninguém discute o que o árbitro diz, sobre o risco de ser severamente punido.
Ok, temos que deixar claro que não existe aqui nada relacionado ao fato de uma país ser mais rico que o outro, afinal, este nem se quer entra na análise. O que temos aqui são os valores incutidos na cultura de um povo, os quais se demonstram claramente no esporte. Só que também temos aqui é o fato de que se os árbitros querem ser respeitados, eles precisam se dar ao respeito.
É o caso do rugby. A atitude respeitosa por parte dos atletas em relação ao árbitro deve ao rigoroso controle ético realizado pela comissão de arbitragem que pune com severidade qualquer ato de corrupção por parte de seus comandados, podendo levar até mesmo a expulsão da entidade.
E vai além disso. Países como Inglaterra, Austrália e Nova Zelândia, onde o rugby é o esporte favorito da população, a corrupção em todos os setores, e em especial ao setor público, é extremamente combatida, com a exigência da população por punições exemplares, para que não venha acontecer novamente. Estes valores são facilmente identificados no cotidiano dos jogadores.
Não quero dizer que a corrupção não exista nestes países. Pelo contrário, existe tanto quanto nos países de menor grau de desenvolvimento, é só você ver o caso da Siemens e do Cartel de trens de São Paulo, ou os casos advindos da CPI da Petrobras. Mas lá fora, a corrupção não é exaltada, e sim, escrachada pela população, a qual considera como uma forma torpe de se crescer na vida.
E trazendo para uma realidade local, vimos isso, infelizmente, também no futebol sete. Preza-se por uma vitória muitas vezes conseguida no apito, nos minutos acrescidos aos finais de cada tempo e atitudes imorais realizadas cada vez mais freqüentes nos gramados dos finais de semana. Ressalta-se aí, o fato de que são jogos amistosos, nos quais não existe nada em disputa. E mesmo que fosse, times antiéticos em jogos amistosos seriam diferentes em jogos de disputa de campeonato?
Estamos combalidos, enfraquecidos pela nossa sociedade, e em especial a brasileira, que valoriza demais a vitória a qualquer preço, sem pensar nas conseqüências. E se isso acontece no esporte, o que dizer da nossa sociedade, tanto privada quanto pública, desvalorizando as pessoas que lutam por um lugar mais honesto e mais justo.

