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sábado, 8 de maio de 2010

Vida de Zagueiro: Ser ou não ser um zagueiro?

A angústia de ser zagueiro é enorme. Ao mesmo tempo que não pode deixar ninguém te ultrapassar para fazer gol, no mesmo interim você não pode ultrapassar a linha de meio de campo para tentar fazer o seu gol. Raramente você é permitido.
Assim é minha vida. Ou você é o xerifão ou você é o cabeça-de-área. Muitas vezes bandido, em algumas outras vezes o mocinho. Tira a bola daqui, chuta a bola de lá. São tantas denominações que você precisa se concentrar em não ser enrolado pelo atacante adversário.
A minha saga começa onde termina a sina da maior parte dos jogadores da minha equipe, ou seja, as redes adversárias. Para chegar lá você precisa de destreza, ou muitas vezes contar com a sorte. Eu creio ser o tempo que não vem me ajudando.
Apesar de ter sido criado no EF!FC passei um bom tempo sem tocar em uma bola. Sentimento triste, mas aos poucos foi contornando para chegar onde estou. Aquela era uma tarde quente de um sábado de fevereiro, começo de campeonato para minha equipe. Com muitas pretensões para este ano, ela vinha reforçada e com muito mais vontade de vencer as partidas. Essa vontade enorme me contagiava.
O lance começava despretensioso, ainda mais depois de um jogo fácil realizado pelos Cachorros Verdes naquele dia. Mas eis que ele originou o princípio de tudo. Nosso atacante, Marcos Assunção, driblou dois perto da grande área e cruzou na esperança de alguém estar lá para fazer o que deveria ser feito. Eu apareci completamente como um coadjuvante naquele momento, sem grandes ambições mas pronto para o grande momento da minha vida.
No cruzamento, a bola passou pela zaga adversária e acabou vindo na minha direção. Com o coração batendo forte, não cheguei a ver mais nada e sim, apenas sentia o impulso da nossa torcida naquele estádio, gritando: "É só fazer! Vai!". Fechei os olhos, olhei para a bola e mirei o gol. Aquele momento parecia ser único. Ao final, só conseguia ouvir: "Uhhhhhhhh!".
Era o goleiro que havia realizado uma grande defesa. Tudo bem não ter sido um bom chute, mas havemos de convir que o goleiro estava bem posicionado. Sentia uma pontada de tristeza por imaginar a bola seguindo a direção das redes. Sentia outra pontada de ressentimento porque talvez aquela seria a chance única de realizar um sonho. O tempo fez questão de provar que não seria assim.

Por: Rafael Bonetti

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